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Marcas famosas se instalam em universidades paulistanas

De restaurante italiano a academia de luta com octógono, Mackenzie e Anhembi Morumbi preenchem espaços vazios com comércios variados

Por Bárbara Öberg 5 mar 2016, 00h00 | Atualizado em 5 dez 2016, 11h36
Mackenzie
Campus em Higienópolis: movimentado antes da pandemia (Ricardo DAngelo/Veja SP)
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O estudante que voltou às aulas na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na Rua da Consolação, deparou com uma loja especializada em churros. É a primeira novidade deste ano em um câmpus que ganhou, em 2015, os restaurantes Koni Store, temakeria com capacidade para trinta pessoas, e Grazie, italiano com opções como lasanha à bolonhesa (23 reais) e polpetone (21 reais).

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No mesmo ano, chegaram também por ali uma filial da agência de intercâmbios STB e uma unidade do Fran’s Café, dentro da livraria Cia. dos Livros. No total, são doze novos pontos comerciais abertos desde 2014. Um dos mais concorridos é a Esmalteria Nacional, onde cuidar das mãos sai por até 42 reais. “Atendo por volta de 200 clientes por mês”, contabiliza a proprietária Camila Negretti, que paga cerca de 4 000 reais de aluguel mensal. “Há quem dê uma escapada da sala para ficar com as unhas bonitas.”

Assim, a instituição tradicional, fundada em 1952, construiu uma área comercial com marcas comparáveis às de alguns shoppings. “É um baita negócio, que pode beneficiar o comerciante, o aluno e a própria faculdade”, explica Jean Paul Rebetez, diretor da consultoria Gouvêa de Souza. O bom poder aquisitivo médio dos alunos, claro, é um forte chamariz. A mensalidade do curso de arquitetura, por exemplo, sai por 2 493 reais.

“A procura dos lojistas por espaços é enorme”, diz Waldomiro Barbosa, gerente de operações do Mackenzie. “Temos um fluxo fixo diário de 40 000 pessoas de segunda a sexta, contando com as turmas do colégio.” A iniciativa começou em 2013, quando a direção da universidade montou o projeto Open Mall, a fim de ocupar setores-“fantasma” com estabelecimentos variados.

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A demanda crescente por áreas em centros de ensino superior é percebida pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). “A instituição lucra com a utilização de um recinto vazio, enquanto os investidores aproveitam o público, a segurança e a locação mais barata”, elenca Claudio Tieghi, diretor de inteligência de mercado da ABF.

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Outra entidade conhecida na metrópole, a Anhembi Morumbi reúne uma lista de nove lojas, se somadas as unidades da Mooca e da Vila Olímpia. No ano passado, as duas ganharam filiais da academia de lutas marciais Team Nogueira, que dispõem até de octógono para combates. Há ainda a cafeteria Starbucks (também presente no Mackenzie) e a lanchonete Subway. “Queremos oferecer um espaço atrativo”, argumenta André Bonfá, diretor de operações.

Ex-presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), Quézia Bombonatto faz uma ressalva. Para ela, a proliferação do comércio pode “segregar” jovens com mais e menos dinheiro. “Fazer do câmpus um shopping é fugir da proposta educacional”, avalia. Sustentar o Starbucks de cada dia, definitivamente, não é para o bolso de qualquer aluno.

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